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Caixa-preta do genoma do trigo foi decodificada: entenda os benefícios

Após trezes anos de pesquisas, um consórcio internacional de cientistas conseguiu decodificar o genoma do trigo, missão por muito tempo considerada impossível, já que o “mapa genético” do grão é cinco vezes maior do que o do ser humano. A conquista, divulgada na última edição da revista Science, abre caminho para produção de variedades mais resistentes às mudanças climáticas, de maior produtividade e com melhores qualidades nutricionais e antialergênicas. No artigo sobre a descoberta, foi apresentada a localização exata de 107.891 genes e mais de 4 milhões de marcadores moleculares. Desde 2005, um grupo de mais de 200 cientistas de 73 instituições de pesquisa em 20 países trabalhava de forma articulada para “quebrar” o sequenciamento genômico da variedade conhecida como “primavera chinesa”, uma das mais comuns. “Quando não existe o sequenciamento, é como uma caixa-preta, você faz a pesquisa no escuro. Não quer dizer que vamos saber a função de todos os genes da espécie, mas agora a gente sabe onde os genes estão localizados e isso facilita o desenvolvimento dos marcadores moleculares”, avalia Luciano Console, pesquisador da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). Para André Rosa, diretor da Biotrigo Genética, a descoberta se compara à invenção dos mapas por GPS. “Antes, se eu queria ir a Curitiba, eu tinha meu ponto de GPS e o seu. Eu pegava a estrada, mas não sabia qual era o melhor caminho, só sabia que um dia eu chegaria. De repente, publicaram um mapa e agora eu chego mais rapidamente. E cada pesquisador que coloca sinalizações nesse mapa vai tornando mais fácil para outro pesquisador chegar à mesma região, pegando atalhos, desviando de buracos e ruas sem saída”, explica. Na prática, a pesquisa já filtrou meia dúzia de genes “candidatos” a interferir no processo de floração das plantas, por exemplo, evitando que o pesquisador tenha que procurar este atributo entre mais de 100 mil possibilidades. “Isso me deixa muito mais perto para encontrar o gene que eu quero, seja para qualidade do trigo, rendimento ou resistência a doenças”, aponta Rosa. Para o consumidor final, os primeiros impactos, prevê Rosa, devem chegar entre 5 e 10 anos. Console, da Embrapa, diz que a decodificação do genoma significa economia de 3 a 4 anos em pesquisas que normalmente demorariam 10 anos ou mais. “Sempre faço um paralelo com a genética humana. A decodificação do genoma ainda não trouxe a cura do câncer. Alguns problemas não são de fácil solução, mas a medicina molecular avançou muito após a descoberta”, enfatiza. Para o pesquisador, o primeiro efeito benéfico da decodificação do genoma do trigo deverá ser na produtividade. “Antes de mais nada, precisamos de um trigo mais produtivo, porque a população está aumentando e temos que aumentar a quantidade de alimentos. Depois, buscaremos variedades com maior teor de nutrientes, com mais qualidades indicadas para quem tem intolerância ao glúten, por exemplo”. Ele lembra que é o glúten que faz o pão crescer, então, não basta retirar o complexo de proteínas que compõem o glúten. “O que as equipes estão tentando fazer é achar quais são essas frações de proteínas mais prejudiciais ao ser humano. Daí poderemos editar em regiões específicas, sem perder as propriedades desejáveis”. O trigo é o grão mais cultivado no mundo, alimento básico de mais de um terço da população do planeta, e responde por quase 20% do consumo de calorias e proteínas pelos seres humanos. Para alimentar uma população de 9,6 bilhões de pessoas em 2050, a produção de trigo precisa aumentar 1,6% a cada ano. Para preservar a biodiversidade, as reservas de água e nutrientes, a maior parte desta expansão terá de ser feita através do aumento da produtividade, e não pelo incremento das áreas plantadas. A velocidade com que a pesquisa brasileira irá transformar a decodificação do genoma do trigo em benefícios diretos para agricultores e consumidores depende dos investimentos em pesquisa. Na Embrapa, é uma questão sensível ao contingenciamento dos recursos públicos. Na iniciativa privada, segundo Rosa, da Biotrigo Genética, dependerá muito do respeito às patentes. “A tecnologia poderá avançar se tivermos mais verba para pesquisa. E isso vem da compra da semente legal, que paga royalty. Quanto mais respeito à propriedade intelectual, mais avançaremos”, conclui.

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